Lembro a palavra de Eugénio de Andrade, “ Tudo o que vivi foi para chegar a um verso! ”…
Aqui, sentado a esta página imperfeita do livro da vida, começo de reencontrar o tão só inacabado verso. Tudo o que vivi desprende-se naturalmente da árvore, mesmo sem que as cores sejam ainda as da estação mais plena. A verdade mais exacta com certeza já nasceu algures, ou não fosse Natal e um menino exíguo de salários e pensões de aleitamento e subsídios de férias e talvez isenções fiscais, foi à muito tempo preparado para ter vários empregos, apesar de ser menino. Carpinteiro, pescador, politico – equivalente de Messias – mártir e, pasme-se até, pastor. Mas também padeiro, e guardador de rebanhos, Mestre e salvador de uma humanidade inteira, mesmo agora que cada um de nós tão só espera um pretexto, para de palma em riste, de braço bem levantado, o aclamar nas miríades de Novas-Jerusaléns terrenas.

O meu hálito é ainda adocicado pela proximidade da quadra. Inspirado pelos perfumes de humildade e amor que pairam pelas Aldeias-Presépio, tento fixar um pequeno instante da minha vida em que compreendi a necessidade de sermos todos um pouco melhores …do que efectivamente seremos amanhã.


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