Roubei-te um beijo! Que sensação magnífica encontrar essa tua cara de espanto, de olhos fechados, de quero, mas não devo, mas…

Depois, de raiva mal fingida, que perfeito estalo me deste! Indolor, cómico, teatralmente digno da mais digna das peças que já vi. A tímida desculpa que se lhe sucedeu. Ainda consigo sorrir, tantos anos depois, perante a lembrança das tuas súplicas também perfeitas. A resposta, essa de cinema, a ultimar o momento,  – Tens de me dar um beijo, senão não te perdoo !

Deste-me um beijo ! Perfeito. Puro. Completo na inocência derradeira, acabada de estrear. Todos os outros que vieram depois só se tornariam  especiais à luz do que guardavam deste. Felizmente, muitos vieram depois.