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A estratégia será para não cair. Mas, Chopin é um gato casmurro que nem um cão. – Gradualmente poderás até levantar-te um pouco no quartil traseiro e tentar chegar a uma saída. Explico-lhe por (a+b) que a ligadura na pata é um mal menor e serve para proteger a ferida. Mas nada! É impossível falar com este gato às Segundas-feiras. E mesmo que ainda fosse Domingo e ele tivesse todo o tempo do mundo para mim, penso que não se acomodaria à sua triste condição de paciente.
Enfim… Coloco-o no peitoril da janela com a cidade inteira por fundo. Três andares abaixo o chão convida-o a apreciar a vista. Espero uns momentos, até que se aquiete, massajando-lhe a barriga gorda de gato de dono nutrido. Um movimento inadvertido de unhas e sei que ele vai desejar ter feito dieta ao jantar.
O enjoo deve ter-se apoderado do bicho por momentos. Paciente, e pela terceira vez, coloco-lhe uma ligadura na pata. Como um gramofone antigo de bónus, coloco-lhe também um funil de plástico à volta do pescoço, daqueles que impedem os dentes de chegar onde o focinho quer ir. Para as garras das patas, à falta de melhor, foram forradas com papel e adesivo em quantidade bastante para que parecesse o Gato das Botas versão urbana e desajeitada.
Humilhado na sua condição de felino, Chopin, repousa agora na sua cesta privativa, com todo o olhar de sogra, Sábado bem tarde, no cabeleireiro ao secador.

