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Meu filho, meu adorado filho. Volto a ti o meu primeiro gesto para te afagar a face, o temor quase infantil, quando tive de te pegar ao colo. Tão frágil e etéreo me parecias. Não era sequer o temor de te deixar cair, mas sim o ainda não acreditar que existias e que por isso, já e para sempre eu te pertenceria.
Pequeno…, frágil; ainda agora pequeno e frágil perante as tuas imponentes presas, os teus pedaços de luz. Assim me vejo face a cada um dos teus gestos, à medida que os anos te afastam para a tua própria manada. Sorrio agora ao ver-te incrédulo, desajeitado, a segurar o teu próprio rebento como um empregado de circo inexperiente, como um elefante carinhoso a enfiar uma agulha para coser os agasalhos de Inverno.
Embevecido e finalmente completo. Meu adorado filho, tromba da minha tromba, cerdas das minhas cerdas, orelhas da tua mãe; vento e sol acordados na pele. Pegar-te-ei ao colo, segurar-te-ei a mão e caminharei contigo todos os segundos que puder, todas as horas que me deres, em amendoins e ramos frescos. Gestos começados de água primeva que sofregamente sorverei. Meu filho, meu adorado filho.

