You are currently browsing the tag archive for the 'Herman Hess' tag.
Sou um lobo.
O sangue empapa a minha boca ferida.
Todo eu sou a imagem do terror,
O horrível pensamento,
O sonho mau.

Sinto que o corpo se ausenta,
Como se toda a crueza,
Pertença fosse desta alma escura.
Sinto a ausência do grito !
E dessa ténue esperança,
que é azo de quem muda
… Se apenas pudesse fugir.
E é assim como se nada,
Nada de bom me fosse dado,
A pensar
Ou a dizer.
Como se apenas no longe, me visse perpetuar?!
No sonho de quem vive,
Na vida que embebe o ar
E nunca… nunca ninguém ousou querer.
Escuto a luz,
Na esperança de ouvir o riso.
Torturo a voz,
Despindo a força,
A réstia de tudo que sonhei um dia.
Ninguém…
Não sou ninguém !
Nenhum ser olhará os olhos inseguros,
AH ! Nesse misto de candura e de trovejo.
Nenhum ser acariciará este pelo vetusto e escuro,
Nem trará o Mundo a saciar
o meu desejo :
A ternura sob os dentes nesse beijo,
Porta aberta para a noite que virá.

