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Quase a levantar-se do chão

O escritor adocicou o pensamento

E olhou em volta como uma criança,

pequena

que começa a andar.

Adivinhas visuais

Perspectivas

Dádivas espontâneas

Quedas repetidas.

Quando eu era pequenino

A minha mãe,

Mais ninguém,

 

Contou-me uma história de amor.

 

 

Era feio, nasci.

Era inteiro, parti.

 

Só para ela cheguei.

 

Criança, eis que as pedras  estalam               

Triste

E frio como uma grande dor.

 

E nem silêncio…

 

Um filme qualquer estoira-me aos olhos

Talvez a solidão

Hoje quando acordei estava a chorar.

O vento morreu atrás de ti

Como a lua

 

Atrás de ti, planalto de sol

Triste

E frio como uma grande dor,

E nem silêncio…

 

 

Sufoco ainda, esventrado ao sol

Criança ao dia

Lagarto que chora.

 

Sou como um réptil contundido

Palavra falsa na tua mão…

Mas nem silêncio…

 

E hoje quando acordei estava a chorar.

 

Criança

Que estás em mim,

            Deixa-me sozinho

   

Comigo e com as cores que represento.

 

Afasta

De mim a tua luz urgente.

 

 

Deixa-me arrastar os meus passos,

Demorar-me nas covas mais fechadas,

Atrasar-me para jantar, ouvir

O traço da vida que ultrapassa;

 

Sentir-me inútil.

 

Criança, deixa-me cair sem que te veja olhar,

Sem o ruído que fica

Parado à escuta de mim. Quero estar só !

Ter pena de mim próprio.

 

Ser feliz.

Há nos teus olhos uma doçura às peças

 

                                   Uma flor carmim e devassada

Uma janela de quadrados

mal fechada

Uma luz que só te espera entreaberta.

 

 

Sonhos azuis

Sorrisos vários que tropeçam primaveras,

uma doçura às peças…

Uma janela de quadrados

mal fechada.

          Tenho um poema saturado de sol

Como uma estátua de sal à minha porta

 

Tenho uma lágrima torta

Que contorna a minha face

 

E tenho a esperança do mundo

A beber

Da minha taça.

Aquela árvore estropiada

Do outro lado da praça

É como o pequeno pedaço

De uma alma pequenina,

 

Que espera um pouco do sonho

Que a ninguém coube em sorte…

 

 

 

Sozinha como se fosse uma criança à espera,

Como o espinho agudo da morte

Que encontra o sentido para a vida.

 

 

Tão triste aquele ramo,

Aquele primeiro que aponta o céu…

Tão triste a metade da rua

O baço minguante da lua

A senhora que segura o seu chapéu.

 

 

Vou para dentro

Tranco a janela num estrondo também triste…

 

Tenho saudades das folhas

E da vida

Naqueles ramos pequeninos.

 

Sonho o agitar sussurrado à noite,

O preguiçar no sol de uma manhã…

Tenho saudades dos rebentos,

Dos passarinhos cinzentos,

Da relva bordejando a praça num afã.

 

 

Tenho saudades de ninguém,

que fosse triste !

 

 

Mar de imensidão

Com que amei pétalas

De flores

De cores

De amores

E escuridão…

 

 

Por isso rasgo,

Pela noite estrelas

De azul

E rosa agreste.

 

Cuspo o sol !

Dispo nuvens de trovões

No mar celeste.

 

 

Como sou louco.

Como sou criança…

Pulando com o mundo

Mergulhando fundo.

Perdi-me…

 

Nesse mar de imensidão.

 

Hoje, agora

O meu amor é uma espiral de um pássaro,

Esquálida fundura

 

Voltaremos com o clamor dos pássaros

Em espirais de brandura.

 

 

Assim manhã branca,

Esquálida fundura.

Também eu quisera conhecer-te

Desafiar a luz nas tuas mais altas clarabóias

Despir-te só,

ou também como se fosses minha,

Partilhar-te com o divagar dos pássaros.

 

E encontrar-te à espera

 

E voltar ao teu regaço

 

E despir-te por outra vez

Onde já não soubesse que voasse !

 

Mas já só te encontrei quando era dia

E tu já eras gesto feito, em Céu de barro

 

Eras Mulher e,

            Eu homem não sabia

 

Que conhecer-te era o mesmo que matar-te.

 

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