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Lembro a palavra de Eugénio de Andrade, “ Tudo o que vivi foi para chegar a um verso! ”…

 Aqui, sentado a esta página imperfeita do livro da vida, começo de reencontrar o tão só inacabado verso. Tudo o que vivi desprende-se naturalmente da árvore, mesmo sem que as cores  sejam ainda as da estação mais plena. A verdade mais exacta com certeza já nasceu algures, ou não fosse Natal e um menino exíguo de salários e pensões de aleitamento e subsídios de férias e talvez isenções fiscais, foi à muito tempo preparado para ter vários empregos, apesar de ser menino. Carpinteiro, pescador, politico – equivalente de Messias – mártir e, pasme-se até, pastor. Mas também padeiro, e guardador de rebanhos, Mestre e salvador de uma humanidade inteira, mesmo agora que cada um de nós tão só espera um pretexto, para de palma em riste, de braço bem levantado, o aclamar nas miríades de Novas-Jerusaléns  terrenas.

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 O meu hálito é ainda adocicado pela proximidade da quadra. Inspirado pelos perfumes de humildade e amor que pairam pelas Aldeias-Presépio, tento fixar um pequeno instante da minha vida em que compreendi a necessidade de sermos todos um pouco melhores …do que efectivamente seremos amanhã.

A Clonagem é, desde há muito, uma prática corrente da humanidade. Com outros nomes, outros contornos, mas a mesmíssima e velha clonagem. Salas de espera de um qualquer consultório médico clonaram à muito o mesmo cheiro e o mesmo ar. Prédios de rés-do-chão colonaram as mesmas grades sobre as janelas frias. Lixeiras nauseabundas tem clonado desde à séculos as mesmas crianças sorridentes.

 

Os exemplos repetem-se iguais…, a frieza matinal dos vizinhos, a pequena desconfiança no peso do merceeiro, o discurso do político interessado, a ausência de humanidade nos seres humanos. Estupidamente, a morte parece subsistir não da semelhança, mas da diferença. Uma diferença clonada também.

Também eu sei coisas, imagino coisas acerca da evasão fiscal. Porque quem não sabe também não vê. E não ver é concerteza motivo para uma pessoa deixar de se importar com os impostos.

 Hoje, quando acordei imaginei, para mim próprio, uma dedução à matéria colectável novinha em folha.

- Que se lixe ! Afinal, Portugal é ainda, em muitos sentidos, um paraíso. Apenas não, um paraíso fiscal.

Tão longe de mim e tão perto está a pertença dos teus braços, a dimensão permanente de quem existe para ser ela própria, a bifurcação tardia que cedo se deleita, por tão só pertencer ao pensamento e já não existir por si no imediato respirado, na estrada entre a  vida e a morte e, também no cruzar permanente de todas as cores de pensar, ou por justaposição no deambular secreto da expectativa confrontada no limite certeiro.

 É assim o amor. É assim o segredo partidário. Pena não ser assim, a queca de ocasião e o flirt tácito de quem retrai. De quem divide. De quem destrói. Para ao menos se rir.

 Afirmativamente, o calcorrear dos corredores será contrapartida do vento. Há uma curvatura transversal no caminho e uma plataforma de entendimento para o pó que os pés levantam. A Assembleia da nossa República está dividida ao meio, mas afinal sempre esteve. Dividida entre os que estão por dentro e aqueles que sempre estiveram de fora.

Algures por detrás da passadeira errática onde desfilamos anónimos e indistintos deve morar uma qualquer máquina Cartesiana de controle. Pelo menos assim espera a grande maioria dos seguidores absolutamente crentes do primado da razão. E mais! O Racionalismo é já velho de trezentos e cinquenta anos! portanto deve poder advogar para si a explicação derradeira de qualquer coisa… Ou pelo menos, deve poder advogar para si o Up-grade de qualquer explicação acerca de qualquer coisa.

Contudo, todas as máquinas que eu conheço, e com quem me dou, são porventura mais temperamentais do que aquilo que o paradigma do nosso tempo poderia permitir ou deveria deixar adivinhar. Assim sendo, será talvez perigoso deixar uma máquina demasiado humana a servir de Deus, não vá a razão faltar…

 

Crianças,

 

Ruas, 

 

Luzes cavadas.  

 

            Esperanças nuas,  cruzes veladas.

Viver com toda a garra que encontrar. Discriminar as bestas pela qualidade do sorriso. Confiar de coração aberto. Ou, em alternativa, configurar o Software com palavras-passe e sorrissos-passe e passes de ilusão temporária. Na curvatura dos dias os Bugs são lobbies organizados. Viver, viver sim, mas atento a tudo o que mexer em segundo plano.

 

Tenho por firme convicção que os profetas do nosso tempo são quase todos piratas informáticos.

A galinha parafraseou uma interjeição. Delicadamente, num sacudir de penas assentou-se sobre o ovo e esperou, esperou e… Esperou ! Quentinho na sua casca, o pintainho ouvia atentamente a leitura do Livro de Reivindicações Salariais Para Aves de Capoeira. A sua mãe continuou a esperar, lendo constantemente durante todo o período de incubação. Havia no seu pequenino cérebro de galinha a esperança que o seu menino, um dia, viesse a ser um animal político.

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