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- Porra! Estou cansado, mas ainda piscava o olho à cachopa.
Perna roliça, voz meiga a fugir para o sozinho, costas direitas e queixo sem papada, é um porte ainda a ter em conta.
Quanto ao resto… ora depois logo se vê, já quase não me lembro, sorriso azul, peito azul, crédito infinito num cartão dourado, viver para sempre, viver para sempre…
Amanhã vou ao talho, mas antes irei conceder-me aquelas novas pastilhas de cálcio forte, que isto da estereoporose não é para monos. E não me posso esquecer dos supositórios para a memória e do suplemento de vitaminas para tomar a seguir à aspirina.
- Tenho de estar em forma para acompanhar o meu neto à escola, o puto corre, corre… e a senhora fina, quem sabe, não me achará mais novo ainda. Comprimidos azuis, planos poupança-reforma, TV por cabo e parabólica para poder fazer zapping por toda uma eternidade, sem ter de voltar por uma vez, ao mesmo entediante canal que me vai estar a impingir um serviço para o chá, por um qualquer preço simbólico terminado em noventa e nove cêntimos.
O chá é para os velhotes das casas de repouso! Para os Séniores regulamentares e certinhos que apenas podem respirar segundo regulamentos ainda mais certinhos que os proíbem estritamente de dar traques à frente do pessoal auxiliar, dos Senhores Doutores e das baratas assépticas, que vivem sem crer, debaixo das brilhantes e também assépticas, morais, saudáveis, puzilentas regras dos regulamentos regulares.

