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Soluço as lágrimas que te secaram, cada um dos teus gestos imóveis, as horas que esperaste de brincar.
Minha criança ficcionada, como é impossível que existas, lábios de ódio a abrirem-se cerrados, doridos de dizer; olhos mortos; seios rasos; feridas cheias sem vontade de morrer.
Parar
Doce alucinação,
Sanidade fingida enquanto rimos.
Partilhamos ainda todos, toda a mágoa,
Depois fugimos…
Corremos nas veias como sangue,
E somos dor!
Pó apenas, diluído em cada chuto.
Assim te vejo
Filtrada pela luz do meu lamento
E assim desejo…
Visão dos olhos que comprei!
Por isso sinto
Esta imensa candura,
Por isso sinto estertor de brancura…
Injectada em mim.
Partilhamos sonhos e,
Partilhamos nada !
Talvez o que sobre das promessas passadas.
Talvez amanhã seja razão,
Se o dinheiro acabar
E os olhos cansados fugirem de nós.
Talvez amanhã seja hora de parar…
Mas não agora !
Agora corremos…
Sentes já as dores lá fora ?
As promessas de menino,
Na névoa da cidade ?
Corremos para parar.
Sabes ontem…
Talvez amanhã seja hora de parar.

